O silêncio é minha palavra
Só o Nada me conforta
A calmaria é meu lar
Como o vento que passa
Lento
Sereno
...
Rasga
Entalha
Marca
Grava
Na nuvem
como palavra
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Os olhos e a cidade
É que nesses aglomerados de desilusões não se pode lançar olhares com sorrisos gratuitos. É preciso vestir uma carranca, um escudo que nos isole e proteja dos olhos que metralham tudo o que veem. São olhos cansados, com milhares de camadas que abrigam milhões de histórias: um longo percurso que os trouxe até aqui. E se hoje estão exaustos e armados é porque foram repetidamente violados, esfolados e expostos.
Porém, há olhos que exibem uma certa complacência em sua superfície. Por eles rezo a todos os deuses, santos e feitiços para que não sejam soterrados pela sujeira. Pois esses olhos, acima de tudo, são espelhos. E onde quer que eles se encontrem, na verdade, me encontram. Nos encontramos. Nos fitamos: meus olhos e os outros. Despidos, sentimos o alívio de nos desfazermos das couraças. Mas sem elas o que somos? Como sobreviver em meio às saraivadas desse ódio curtido em lágrimas secas?
Porém, há olhos que exibem uma certa complacência em sua superfície. Por eles rezo a todos os deuses, santos e feitiços para que não sejam soterrados pela sujeira. Pois esses olhos, acima de tudo, são espelhos. E onde quer que eles se encontrem, na verdade, me encontram. Nos encontramos. Nos fitamos: meus olhos e os outros. Despidos, sentimos o alívio de nos desfazermos das couraças. Mas sem elas o que somos? Como sobreviver em meio às saraivadas desse ódio curtido em lágrimas secas?
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